terça-feira, 17 de maio de 2011

Instante de reflexão

Caminhe com o vento, leve consigo apenas os sentimentos mais leves. pois o amor é uma flor que floresce ao descampado ao luar, assim como a felicidade é aquele pardal que . sem te aperceberes. mirou-te os olhos com ternura e retorna a tua janela todos os dias, em busca da tua atenção.


Marcos André Carvalho Lins

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Instante de reflexão ( de natal)

Nascer é florir na árvore mágica da humanidade, é crescer como parte de um planeta chamado família, é dar frutos sãos e pacíficos todos os dias como uma fonte que se regenera nos subsolos da vida , nascer é sorrir com os lábios imperativos da alma , enfim, cada instante traduz um vir ao mundo diferente pois viver é reinventar-se no desenvolver dos passos... sejamos mais felizes a cada minuto.


Feliz Natal a todos,
Marcos André Carvalho Lins

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Para o esquecimento - Palavra aberta - Amor

Para o esquecimento.
Ao lado esquecido da memória.




Sorri.
Quero respostas dos teus lábios.
Lacônicos.
Monossilábicos.
Universo de sentimentos.
] contradições.
Sentimentos.
Novamente sentimentos.

Quero saber porque beijaste.
Ressentido,
Outro corpo, outra face
Revela-me:
Onde está toda a verdade?
Vaidade. ( nunca maldade )

É injúria saber que pertenceste
A outra cama, leito de tanta
Lágrima baldia


Quem me dera ser uma lágrima
Chorando
Triste em si mesma
Revirando noites
Sem pensar que numa delas
Já não era minha
A vida deitada ao teu lado.

O primeiro passo que aproxima
Separa,
Unta e termina
Frêmito
Do caos das almas...

SOS,
( quando tu me olhas o teu sorriso
Me isenta de mim mesmo, investiga
Algo de desaparecido em mim, uma culpa
Por não estar ao teu lado na eternidade...)

Para esquecer é preciso nunca lembrar.


Marcos André Carvalho Lins

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Palavra aberta


Assim como as palavras, cada pessoa só faz sentido dentro de um texto. É impossível Compreender e amar uma pessoa sem conhecer-lhe cada frase, cada oração, cada parágrafo. A leitura de uma pessoa , portanto, passa necessariamente pelo seu mundo. Sua família e seus amigos. Mas para alcançarmos o mundo do outro, é importante mergulharmos no nosso, é fundamental sabermos quem somos para que projetemos o que queremos, e descobrirmos de quem gostamos. Uma palavra sozinha não forma uma oração, uma pessoa sozinha não consegue construir e ser feliz. Entendo que o único caminho para a felicidade é o amor, e este por sua vez é o atalho para todas as coisas. A vocação do ser humano é amar, mas amar não é uma palavra isolada, mas um capítulo que vai do início ao fim da existência humana. Cada pessoa é uma Bíblia que precisa ser lida com o coração e o coração de um homem é seu mundo. Amar não é um fenômeno, mas a regra. Não amar é uma utopia, pois até no ódio impera o egoísmo, que não deixa de ser um amor mal conduzido. Na dialética da vida, o embate entre amor e egoísmo resulta sempre em algo positivo, pois o amor, tal qual na novela, vence sempre. Viver não é uma necessidade, mas um eterno exercício de construção de si e do outro. Se o homem é produto do meio, o inverso é verdadeiro. Transformar é construir o homem a partir do seu meio, através do amor.


Feliz ano novo a todos!

Marcos André Carvalho Lins

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Amor
(A JEAN CARLOS,
BJ)



Ele já descansa na tua alma como um passarinho,
Já é parte do teu pensamento,
Do teu corpo, do teu ninho
Não ocupa um lugar: é o próprio espaço...

Separar,
É deixar partir, algo que quer ficar
É mandar sair, algo que quer permanecer, estar
Parte de ti.

Um sorriso de menino
Que agora carregas apenas no olhar,
Um momento, um instante
Um dia que te pertence, uma vida ausente...

É preciso permitir se ir, levando...

Marcos André Carvalho Lins

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

DIURNO, DESPERTAR, O CHÃO DE GIZ.


DIURNO

O SOL, DE SOLIDÃO
O CÉU, DE SERVIDÃO
O MAR, DE ORGULHO E PAIXÃO
O VENTO, DE ADEUS, ATÉ UM DIA...


DESPERTAR

Seus olhos percorriam o cômodo, amedrontados e curiosos. As mãos, mais sutis, apalpavam as estruturas metálicas e os tubos que pareciam ir do nada a canto nenhum. O quarto do esquecimento, era assim que imaginava o inferno, algo como trancar-se e jogar a chave fora. Aquilo, porém , não sentia como fruto de maquinações pueris ou filosóficas. Tratava-se de realidade demais para um devaneio, verdade demais para se apreender apenas com um pensamento.

Sendo ou não um sonho mau, ele precisava acordar. Não que estivesse dormindo , mas os objetos estavam além do seu alcance e não distinguia bem se estáticos ou se estavam girando em torno dele como planetas em redor do sol. De alguma maneira, sóbria ou alucinada, situava-se no centro de toda uma parafernália cinzenta e distante, embora fosse capaz de tocá-la com a ponta dos dedos.

Arriscou desprender um som com o esforço labial máximo possível a vista de tantos apetrechos tolhendo-lhe a fala. Assim mesmo algum ruído sangrou de suas cordas vocais e tomou a forma de um chiado suavemente audível.

Uma moça surgiu a sua frente e precipitou-se com os olhos arregalados sobre ele. Desapareceu no mesmo átimo de segundo em que apareceu. Seria Eugênia ? As feições correspondiam às suas lembranças.

A última vez que estivera com Eugênia fora durante uma recepção em sua casa de praia. A dança à beira da piscina com o vento sussurrando baixinho as sua sortes “ para sempre juntos” . Inesquecível para ele. À memória veio-lhe também a echarpe da namorada caindo oportunamente na piscina. Ele mergulhou , então , no seu encalço. À tona, com o pedaço de pano entre os dentes, entregou-lhe à borda como um cachorrinho. Arrancou-lhe gargalhadas e mimos como se faz a animaizinhos amestrados.

Assustados, cercavam-no agora, meia dúzia de pessoas. Algumas se distinguiam por utilizarem vestes sóbrias. A euforia tumultuava o ambiente e deixavam-no ainda mais confuso. Atônito, ele sibilava, procurando um meio qualquer de conter aquele rebu. Não entendia porque tantos desconhecidos, por unanimidade, decidiram ir de encontro à regra estampada na parede. Uma mulher distinta com um gesto adequado sinalizava pedindo silêncio.” Espere!” – atinara de repente- “ Uma enfermeira!”
Estava num hospital, concluíra. Não estava morto ou alheio a tudo. Discernia aos poucos as figuras e os conteúdos. As vozes, estas entoavam aos seus ouvidos de modo familiar.

Feliz, passara a etapa seguinte: a liberdade. À medida que lhe eram retirados os tubos, seu corpo sentia-se aliviado. Um reles café da manhã gozava ao seu paladar do mérito de um farto banquete. Um mero copo de leite inundava-lhe o organismo como um vinho do porto da melhor safra.

A luz do dia inaugurava uma nova formulação de viver que não estava contida em frases ou textos inteiros, mas numa mísera manhã de ócio. Suas revisões filosóficas precisavam ser divulgadas e ninguém melhor do que Eugênia para a tarefa. Todos estavam ali, menos Eugênia. Perguntou aos pais pela namorada inúmeras vezes. As respostas sempre deixavam a desejar, não o confortavam muito.

No seu último dia de permanência entre doutores, seu pai deixou ao lado, na cabeceira, um jornal com a foto de Eugênia impressa. Ele nunca soube se por descuido ou intencionalmente. O fato é que o pai abrira-lhe uma janela de dor e culpa. Um caminho que o fazia sentir vontade de nunca ter despertado, de jamais sequer ter nascido.

Estava tudo no papel em letras garrafais: ele foi o responsável pelo acidente, estava alcoolizado, e o pior Eugênia vinha no banco de passageiros. Ao contrário dele Eugênia não saiu do coma e teve a morte cerebral sentenciada.

Num esforço além do permitido pelos médicos, ele ousou levantar-se e dar alguns passos até a janela. Inspirou profundamente. O ar manhoso que lhe invadia os pulmões deu-lhe um acalento e o empurrão necessário para entreolhar o que seria o resto de sua vida. À mente vinha-lhe a respiração de Eugênia num melódico “para sempre juntos .“


O CHÃO DE GIZ

AS ONDAS CONFESSAM
LEVARAM TEU CORPO DALI
PRA LONGE, TÃO LONGE
DO CHÃO DE AREIA PARA O CHÃO
DE GIZ

AS ESPUMAS ENCOBREM
TEUS RESTOS DE VIDA
PISCAS UM OLHO
ENQUANTO O OUTRO ABSORTO
MAIS PERTO DE MIM

AS ÁGUAS SALGADAS INUNDAM
TEU ROSTO
E TUAS LÁGRIMAS PARECEM
SOZINHAS A CHORAR

CRIANÇAS BRINCAM EM TORNO DE TI
RISCAM O CHÃO
O CHÃO DE GIZ...


Marcos André Carvalho Lins é
bacharel em Direito formado na Universidade Federal de Pernambuco e ocupa o cargo de Técnico Judiciário Federal no TRT -6a Região (Pernambuco), sendo também escritor diletante

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Escrevendo a lágrima á sombra. (Um conto, duas poesias)


À Sombra

Aguardava embaixo de um exuberante carvalho , ou seria uma bananeira ? Não prestei atenção, para dizer a verdade, mas isso é o que menos interessa. O fato é que eu esperava, à sombra, o carteiro com o diário oficial. Meu nome deveria constar entre os primeiros colocados do concurso para escrevente. Área que, se não me causava furor, também não me trazia grandes dúvidas. Na realidade, era indiferente. O que importava era o pecúlio certo no final do mês e , finalmente , a realização de um sonho : o casamento com Doraci . Moça formosa, de encantos mil e cheirosa como uma rosa.

Ali estava eu, ansioso pela chegada do malote de correspondências que viria àquela hora da capital do estado. A prova, havia realizado com esmero e o gabarito, conferido, deixava-me numa excelente posição em relação aos demais candidatos. Alguém me perguntará como alcancei com tanta certeza uma conclusão dessa natureza. A resposta é bem simples, verifiquei comparativamente as minhas respostas com as do Elizeu, notoriamente um dos maiores valores de Rio Grande, e, sem dúvida , meu mais importante concorrente. Consegui três pontos à sua frente , três quesitos corretos meus e incorretos entre as soluções dele . Aquilo me deixou eufórico e preencheu-me de esperanças e sonhos.

Divagava com Doraci, entrando na igreja toda de branco, com o champanhe depois do casório, com a casinha que compraria financiada por uma instituição pública e com os rebentos, muitos deles, fazendo da minha vida um eterno paraíso, recheado de anjinhos e de uma santa . Doraci podia ser assim adjetivada. Uma santa. Vivia abnegada à família de pai, avô doente e dois irmãos “pinguços”. As situações vexatórias, por que passava , não eram poucas, mas mantinha muita fé em Nossa Senhora e no senhor Jesus. Apenas dessa forma, por meio da religião, arrebanhava forças para enfrentar todos os dilemas familiares. Toda aquela dedicação exagerada aos parentes, encerrar-se-ia, porém, depois das bodas. Não obstante, prometi-lhe, e não poderia ser de outra maneira, que seu pai e seu avô residiriam conosco. Os irmãos, por seus turnos, teriam de correr atrás de sua mantença , visto que , eram, até aquele instante, sustentados pela irmã. Não seria fácil desgarrar Doraci dos demais irmãos, pois havia laços de afeto fortes que os uniam. Entretanto, ela prometera deixá-los cuidar de seus narizes e me seguir , provavelmente, rumo à capital.

Todas aquelas vantagens de ser um servidor público transitavam pela minha mente, enquanto se demorava o meu futuro colega, servidor dos correios, a despontar naquele ponto do percurso. Ele desceria do ônibus leito exatamente naquele extremo da cidade e eu tinha de recepcioná-lo à altura da notícia que ele detinha em mãos, cujo teor, praticamente, traçaria uma linha divisória na minha existência , definiria um antes e um depois daquele momento.

Escorado o corpo no cajueiro ( ou seria uma bananeira, não sei ) adormeci. Entre meus sonhos desfilava Doraci, quase nua , num dos nossos banhos de rio onde ela, sutilmente, permitia-me tocar os bicos dos seus seios dourados e levemente umedecidos sob a camiseta solta. A primeira vez deu seqüência a muitas outras que, no entanto, nunca me encorajaram a ir além. Mas como era linda minha Doraci, olhos profundamente negros como aquela parte do rio onde desfrutei , ainda moleque, minha iniciação no terreno movediço do amor. Embora, sem jamais tê-la tomado em meus braços e a possuído, sabia desde sempre que ela seria minha eterna companheira com a qual partilharia todos os meus projetos dali por diante. Doraci acomodou-se no meu coração , e eu no dela, de modo quase casual , intuitivo, amor à primeira vista como costumam denominar comumente. Eu sabia que era dela e ela sabia que era minha. Jamais questionamos isso, desde aqueles sensuais namoricos no riachinho.

Ao despertar do meu sono lascivo, escutei um barulho esquisito, vindo do centro da cidade. fogos. uma festa, cujo epicentro se desenrolava na casa de Elizeu , meu amigo e antagonista . Aproximei-me e reconheci meus vizinhos , moradores das redondezas, cercando o jovem Elizeu como a um grande herói. Pensei comigo: se ele passou no concurso, eu também passei! Corri para casa saltitante e envaidecido. Pretendia ler meu nome escrito no diário oficial e sublinhá-lo para mostrar a Doraci.

Quando desemboquei no terraço do meu lar , encontrei com Doraci, aos prantos, com o jornal no colo, aparando-lhe as lágrimas. Abri um sorriso e disse em tom triunfante:

- Não chore, meu bem. Contenha essa emoção para as núpcias.

Ela olhou-me no rosto por um segundo e tornou a chorar. Minha mãe veio então ao meu encontro e esclareceu: eu não havia passado, o meu nome não constava da lista de aprovados.

Dirigi-me ao meu quarto em silêncio, deitei na cama, envergonhado. Senti o peso de todo o firmamento sobre meus ombros. Meus olhos embaçaram, mas não soltei um gemido. Passei vários dias comendo e falando pouco. Recuperei-me, lentamente, e no ano seguinte passei no vestibular para medicina, campo de trabalho que sempre me encheu as vistas.

Para cursar medicina , fui morar na capital,enquanto Doraci permanecia no interior. Não nos casamos , mas guardo boas recordações dela.

Na época, correu na cidade, à boca pequena, que a aprovação de Elizeu eram favas contadas, uma manobra , em se tratando de um sobrinho de desembargador. Não me perturbei.

Hoje sou feliz, do meu jeito, como , aliás, talvez não fosse, se tivesse ocupado um cargo público.

Escrevendo.

Escuta a vida,
Quando embriaga a noite infinda
Zênite da lua errante

Teu nome grita,
À garoa fina
Luz, sombra e sangue

Sobre papel,
Tinta:
A mácula de idas e vindas

O céu freia,
O mundo pára,
Perde-se o novelo de sílabas

Na nudez fosca de uma página...


Lágrima

Marés íntimas
Levam a m´gua
Insípida do tempo

Amálgama d´alma
Silêncio...



Marcos André Carvalho Lins é
bacharel em Direito formado na Universidade Federal de Pernambuco e ocupa o cargo de Técnico Judiciário Federal no TRT -6a Região (Pernambuco), sendo também escritor diletante